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Colelitíase ou calculose biliar (pedra na vesícula).

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Colelitíase ou calculose biliar (pedra na vesícula).

A colelitíase ou calculose biliar é um problema de saúde pública internacional com proporções variáveis pelo mundo. Na era da ultra-sonografia abdominal (ecografia), sua prevalência tem se situado em torno de 10% nas populações ocidentais (1,2). Na Europa, cerca de 10% de todos os adultos apresentam cálculos biliares sendo mais comumente encontrada em mulheres (2:1, chegando a 3:1 durante o período fértil). A frequência aumenta com a idade em ambos os sexos - à idade de 65 anos cerca de 30% das mulheres têm cálculos, e aos 80, cerca de 60% dos indivíduos em ambos os sexos os apresentam (3). Especificamente no Brasil, Coelho et al. [3] encontraram uma freqüência de 9,3%. Diversos fatores de risco têm sido associados à sua formação além do sexo feminino e idade sendo assim a obesidade, diabetes, cirrose hepática, hiperlipoproteinemia, doenças hemolíticas e doença inflamatória intestinal têm sido associadas a sua origem. Da mesma forma o uso de determinadas substâncias para diminuir o colesterol como o clofibrato e nutrição parenteral total, bem como a realização de determinadas operações abdominais como cirurgias no estômago estão relacionados a uma maior freqüência desta doença (4). Em trabalho publicado recentemente pelo presente autor aqui no Brasil foi encontrado associação com a circulação extracorporea utilizada nas cirurgias de revascularização do miocárdio (5). A formação dos cálculos é multifatorial e consiste na associação de uma bile espessa (barro ou lama biliar) chamada de bile litogênica ou supersaturada a uma diminuição da mobilidade da vesícula popularmente conhecida como vesícula preguiçosa (4, 5).

Sintomas da calculose biliar.

Dor abdominal na região central (epigástrica) ou do lado direito (hipocôndrio direito), freqüentemente irradiada para o ombro direito, forçando o paciente a repousar e que não é aliviada pela evacuação. A dor geralmente é contínua, não em cólicas. Estudo de prevalência dinamarquês identificou a "dor no quadrante superior direito durante a noite" como o sintoma mais discriminante de litíase biliar em homens e a "dor forte e opressiva, provocada por alimentos gordurosos" em mulheres (6-10). Muitos pacientes relatam indigestão e “inchaço" que é chamada cientificamente de síndrome dispéptica. No entanto, algumas vezes é muito difícil decidir se os cálculos estão ou não causando os sintomas. Por exemplo, a dor freqüentemente no centro do abdome (epigástrica) pode ser erroneamente confundida como doença ulcerosa péptica, especialmente se for desencadeada pelas refeições ou à noite.

Complicações

As principais complicações da colelitíase são: inflamação aguda da vesícula (colecistite aguda) ou do pâncreas (pancreatite aguda) e migração de cálculos para o ducto colédoco originando icterícia. A colecistite aguda é ocasionada por impactação de um cálculo na saída do ducto cístico levando a uma obstrução da vesícula e ocasionando uma inflamação da mesma. Os sintomas são: dor persistente do lado direito do abdome associada à febre, mal-estar e prostação. Já a pancreatite é ocasionada quando um cálculo migra pelo ducto colédoco e ocorre uma inflamação na sua saída em direção ao intestino delgado - duodeno. Os sintomas são de dor importante no centro do abdome associado a náuseas e vômitos. A icterícia ocorre pela obstrução do ducto colédoco por um cálculo e leva a pessoa a ficar com cor amarela e ainda apresentar urina escura cor de coca-cola e fezes claras (massa de vidraceiro).

Diagnóstico

O exame diagnóstico padrão é a ultra-sonografia também conhecida como ecografia de abdome que apresenta em torno de 90 % de eficácia.

Tratamento

O tratamento da colelitíase deve ser indicado nos pacientes com sintomas ou que tenham desenvolvido complicações. E sempre cirúrgico e consiste na remoção da vesícula junto com os cálculos (colecistectomia) de preferência por videolaparoscopia. É procedimento relativamente simples com baixo risco de mortalidade (0,14 a 0,5% em estudos diferentes) e de complicações. Paciente opera e tem alta no dia seguinte. A recuperação também é boa com pouca dor e retorno breve ao trabalho. Em pacientes sem sintomas, há consenso de que a cirurgia seja desnecessária exceto nas seguintes situações: paciente submetido à outra cirurgia abdominal, pacientes com diagnóstico de colelitíase mas que vivem em local remoto demais para tratamento médico se houver alguma complicação da litíase, pacientes assintomáticos vivendo em áreas de alto risco para câncer, pacientes imunossuprimidos (como, por exemplo, transplantados), pacientes com diabetes insulino-dependente não tem prevalência mais alta de litíase biliar, mas quando idosos tem maior risco se surgirem complicações inflamatórias, pacientes com perda rápida ou alterações cíclicas do peso e aqueles com outras condições que levem a maior risco geral de complicações ou pacientes com vesícula biliar calcificada (em "porcelana") pelo alto risco de desenvolvimento de câncer.

Referências de literatura.

1. Abdominal symptoms: Do they predict gallstones? A systematic review Berger-M-Y, Van-der-Velden-J-J-I-M, Lijmer-J-G, De-Kort-H, Pains-A, Bohnen-A-M, Scandinavian Journal of Gastroenterology 2000, 35/1 (70-76) Pubmed-Medline.

2. Clinical manifestations of gallstone disease: Evidence from the Multicenter Italian Study on Cholelithiasis (MICOL) Festi-D, Sottili-S, Colecchia-A, Attili-A, Mazzella-G, Roda-E, Romano-F, Lalloni-L, Taroni-F, Barbara-L, Menotti-A, Ricci-G, Hepatology 1999, 30/4 (839-846) Pubmed-Medline.

3. Abdominal symptoms and food intolerance related to gallstones Thijs-C, Knipschild-P Journal of Clinical Gastroenterology 1998, 27/3 (223-231) Pubmed-Medline.

4. Dyspepsia- how noisy are gallstones ? A meta-analysis of epidemiologic studies of biliary pain, dyspeptic symptoms and food intolerance Kraag-N, Thijs-C, Knipschild-P. Scand J Gastroenterol, 1995:30 (411-421) Pubmed-Medline.

5. Evaluation of extracorporeal circulation effects on gallstone formation. Costa, SRP et al. Braz J Cardiovasc Surg 2006; 21(1): 50-54. Scielo.

6. Which abdominal symptoms are due to stones in the gallbladder Jørgensen T, Kay L, Hougaard Jensen K. Gastroenterology 1994;106:A342

7. Symptomatic and silent gall stones in the community Heaton-K-W, Braddon-F-E-M, Mountford-R-A, Hughes-A-O, Emmett-P-M. Gut 1991, 32/3 (316-320) Pubmed-Medline.

8. Abdominal symptoms and gallstone disease: An epidemiological investigation, Jorgensen-T. Hepatology 1989, 9/6 (856-860) Pubmed-Medline.

9. Correlation between gallstones and abdominal symptoms in a random population. Results from a screening study Glambek-I, Arnesjo-B, Soreide-O. Scandinavian Journal of Gastroenterology 1989, 24/3 (277-281) Pubmed-Medline.

10. Prevalence of gallstone disease in an Italian adult female population. Rome Group for the Epidemiology and Prevention of Cholelithiasis (GREPCO), Capocaccia-L, Giunchi-G, Pocchiari-F, et-al. American Journal of Epidemiology 1984, 119/5 (796-805). Pubmed-Medline.



Contato:

Dr. Sergio Renato Pais Costa.
Av. W3/SHLS Quadra 716 - Conjunto C - Consultório 8 - Brasília - DF
Fone: 3445-0268 e 3445 0187
AV. W3/ SHLS - 716 Sul- Bloco A- Edifício Pio X- sala 302- Brasília-DF.
Fone: 3962 3232.
Título de Especialista em Cirurgia do Aparelho Digestivo. Membro Titular do Colégio Brasileiro de Cirurgia Digestiva

Doutorado e Mestrado em Gastroenterologia Cirúrgica pela Universidade Federal de São Paulo-UNIFESP.




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Barro na visicula
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em April 14, 2010
Eu passei muito mal e procurei um medico que descobriu que eu estava com Hepatide Medicamentosa
Dai tive que fazer uma utrassom que descobri que tenho um pequeno barro na visicula,sera que pode ser por causa do figado? ou não tem nada a ver ? mas
eu tenho sindrome do Panico e tenho muito medo de cirurgia.tem algum medicamento que possa sair esse barro ou mesmo um alimento ? por favor me ajude não quero fazer cirurgia.Aguardo uma Resposta anciosa.
Obrigado pela Atenção. Fike com DEUS.Abraços.
February 9, 2010
The Entry has been updated in the meantime!
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Colelitíase
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em February 3, 2010
Mi amore, vou ter que "entrar na faca" de novo...
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Adicionado em: 2008-07-13 10:21:44    Acessos: 26754
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